Lutterbach - Fotografia Autoral

Uma cidade cosmopolita, muito convidativa e totalmente diferente de tudo que já tínhamos experimentado em viagens. Bangkok assusta já no aeroporto enorme com filas de gente de nacionalidades vistas somente em tela de cinema. A diversidade da multidão é um dos pontos que mais me marcaram ao tentar absorver a experiência única de uma visita à Tailândia.

A dificuldade de uma interminável viagem de avião é amenizada logo na chegada pela educação e gentileza dos tailandeses. Acho que foi o lugar que me senti mais apreciada como turista em toda a minha vida! Eles vão te mimar e te agradar, sempre com um sorriso no rosto e muita paciência. E água. Sim, toda hora alguém me dava uma garrafa d'água sem que eu pedisse, o que me preocupou no início; pensei: "afinal como vou pagar tanta água?" Mas, nos hotéis em que fiquei, era uma cortesia. Achei isso o máximo: deveria ser o básico. :)

É difícil entender o inglês deles, os taxistas não falam outra língua, então é recomendável andar com endereço por escrito e mapas, mas na dificuldade eles ligavam para nosso hotel e se entendiam. Andamos muito de taxi, pois é muito barato. É só pedir para ligar o taxímetro. Alguns não aceitam e o jeito é descer e esperar outro. Os veículos são charmosos, de um rosa bem chamativo, adorei!

Os vendedores ambulantes vão tentar te vender bugigangas que você não quer por preços altos: chore muito... e os motoristas de Tuk Tuk podem tentar te convencer que o templo não está aberto agora, que é melhor dar uma volta com eles. Nada disso! Saiba dessas malícias e não aceite nada dito como verdade absoluta.

A comida me surpreendeu, pois esperava não me adaptar tanto. É possível conhecer restaurantes famosos, premiados, tradicionais (e de outras nacionalidades) de excelência por valores que estamos acostumados a pagar em qualquer estabelecimento médio em Belo Horizonte. Existe uma imensa variedade de pratos, e muitos deles não são tão apimentados quanto eu temia. A comida no geral é leve e saudável.

Não vou mentir: o calor é escaldante, o trânsito é caótico, a poluição incomoda muito e os passeios turísticos aos pontos mais famosos às vezes desanima. É gente demais!! Mas, basta dar um passo a mais para encontrar um ponto de silêncio, prece ou mesmo uma simples contemplação à beleza da arquitetura e arte tailandesa.

As famosas massagens são mesmo tudo o que se comenta. Experimentei aquelas "hardcore" na rua (ficamos igual rolinho primavera durante e pisando em nuvens depois) e as refinadas em spa de hotel:  recomendo as duas experiências. São complementares, muito diferentes e indispensáveis. E tem yoga!! Se você se liga nisso como eu, tem que experimentar várias aulas por lá.

É preciso ter calma, pois nada é como estamos acostumados, por isso uma viagem dessas é tão enriquecedora, porque mantém nossa mente aberta ao diferente. Nos dá preparo para aceitar que podemos viver de outro modo, pensar de outras formas.

Vou deixar que as fotos falem o resto, pois minha intenção não é fazer um guia de viagem. :) Existem vários incríveis escritos por aí. Só queria falar que, mesmo não sendo budista, uma viagem dessas tem uma energia forte de fé e força histórica. Você simplesmente muda.

<3

Gostaria de agradecer aos vários amigos que nos deram dicas preciosas, como a Bit e Leo, Ana Henkes, Lud e Gui, Ana Flávia e Felipe, Marina, Amanda e Pedro e família, além da nossa incrível Roberta (Leroy Viagens) que fechou essa parte da viagem para nós, com roteiro e hotel maravilhosos. Várias pessoas nos incentivaram muito, não terei como citar todos, então sintam-se abraçados... Agradeço também ao Felipe e a Paula, que nos ajudaram com indicações do preparo de saúde, remédios e vacinas, além de precauções a serem tomadas para a longa viagem de ida e de volta. Mais importante: um obrigada gigante à nossa família, que nos incentivou a fazer essa aventura quando o medo apareceu, e aos meus pais que tomaram conta do nosso tesouro, Davi, enquanto estávamos longe.

<3

Beijos, Carol.

FOTOS | FERNANDO LUTTERBACH © 2016 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Lugares das fotos em sequência:

Rio Chao Praya | Grand Palace | Wat Pho | Wat Arun | Wat Traimit | The Golden Mountain | Chinatown | Khao San Road | Damnoen Saduak Floating Market | Thai Benjarong Porcelain and ceramics | Jim Thompson House

SEM HUMANO

14 de Dezembro de 2015

Um projeto autoral surge após anos fotografando só para mim nos poucos segundos entre um ensaio e outro. Algumas vezes acontece simultaneamente a um trabalho encomendado. Basta olhar para aquilo que nos comove e nos encanta. Há sempre beleza, algo curioso ou diferente e o lugar não importa.

Para mim, não há outra forma de ser fotógrafo, a não ser estar sempre inquieto e buscando enxergar o que nem sempre as pessoas enxergam.

Descobri, ao alinhavar esses momentos só meus, que todos são fragmentos de um mundo coexistente ao nosso, mas que quase sempre passam despercebidos. Aqui os seres NÃO são humanos, mas são vivos, belos e mágicos.

A maioria dessas fotos foram feitas de 2010 a 2015 em Belo Horizonte, diferentes cidades do interior de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Pra quê atravessar o mundo para ver as ilhas Maldivas se temos Maragogi? Uma pequena vila em Alagoas, mas bem  pertinho de Recife, em Pernambuco, Maragogi consegue nos fisgar com todas as suas nuances de turquesa e verde-água em suas praias recheadas pela mais rica costa de corais do Brasil. E lá tem um vento constante a soprar toda e qualquer preocupação. Tem uma chuva logo de manhã para refrescar qualquer cabeça quente.

Nos preparamos com muita antecedência para essa viagem; precisávamos muito descansar e fotografar por conta própria. A exuberância das praias (principalmente a Praia da Bruna, Antunes e Carneiros/PE) poderia muito bem nos hipnotizar e cegar nossos olhos para outras belezas um pouco mais escondidas. Existe todo um universo do lado de lá das praias. E lá tem outras cores fortes e lindas também, mas, nos disseram por lá: "turista não quer ver isso não".

Mas, o que faz um fotógrafo não é segurar uma câmera. É ter um olhar além da superfície. É querer cavar com a unha a areia do mundo. É querer colocar o mundo todinho dentro de um grão de areia.

Por Carol Godoi

Fotos | Fernando Lutterbach | © 2015 | todos os direitos reservados | não copie sem autorização.

A nossa Trancoso

18 de Maio de 2015

Uma viagem de férias para nós não é um descanso da fotografia, mas é uma possibilidade de finalmente fotografar com liberdade total, sem pressa, nem pressão.

É uma maneira de ver as cores, ou criá-las, do nosso jeito. É finalmente poder registrar um pouco a nossa vida porque estamos fazendo o que mais amamos, com aqueles que mais nos importam.

Trancoso já não é uma vila simples de pescadores. Tem sido o lugar da moda, local aonde famosos e milionários vão para gastar valores absurdos. Mas, é considerado hoje internacionalmente um dos lugares mais lindos e especiais do mundo. O mérito é real. Me alivia, porém, constatar que parte importante da sua beleza está sendo preservada por muitos dos novos donos de terras de lá. Vejam só, aqueles que compraram os locais mais privilegiados são europeus investidores da indústria do turismo, numa repetição irônica do que aconteceu no descobrimento do Brasil.

C'est la vie.

Mas a beleza do lugar me impede de sofrer por não ter ido no passado, quando tudo era mais intocado. E devo dizer que não fomos na loucura da alta estação de férias, o que contribuiu para ver o lugar como ele é mesmo. Em seu ritmo verdadeiro...

A melancolia vai embora de vez depois que voltamos para casa e vejo os recortes que o Fernando fez da nossa viagem, com seu olhar. Ainda tem o futebol na praça, um nativo vendendo coco na praia, meninos apostando quem fica mais tempo debaixo d'água, os barcos dos pescadores, meninas na praça indo rezar e cachorros soltos em qualquer rua.

E assim me apaixono de novo pelo lugar, pela fotografia dele e pelo que ele é. Amo o que ele ama. O que ele ama me emociona continuamente. E isso nos basta.

CAROL.

Uma pausa amorosa

23 de Fevereiro de 2015

Foram dois dias reservados para nós e resolvemos dividi-los com amigos muito queridos, que atualmente vivem numa das cidades mais charmosas de Minas Gerais, Catas Altas. São duas horas de meia de distância de BH: a estrada é linda, iluminada e muito verde.

O Guilherme é um amigo de longa data, uma pessoa que faz parte da minha história e do Fernando. Um irmão de alma, que temos enorme carinho. A Amanda entrou pra vida dele de forma tão alegre, que nos conquistou imediatamente. Quando ele se casou com ela (doce mais doce de pessoa) já tínhamos uma viagem grande marcada para a Europa e não estivemos juntos no dia. Quando vi as fotos deles meu coração ficou apertado por não ter dividido e abençoado esta união, que nos é tão cara.

Já passamos outros dias parecidos com estes na casa deles, e em todas as vezes, a fotografia é como um outro membro do grupo, sempre presente para não nos deixar esquecer. Porque não queremos que acabe nunca.

Ao ver nossas fotos, Amanda e Gui, pensei que os dias comuns, às vezes nos passam, e não nos parecem tão importantes quanto o dia do casamento. Mas devem ser... vejam nas fotos, como somos felizes HOJE. Tomara que isso amenize nossa falta, e que assim, possam nos perdoar. :)

The Artist Guild of the Wedding Photojournalist Association WPS International Society of Professional Wedding Photographers