Lutterbach - Fotografia Autoral

Este ensaio pré-casamento foi feito numa tarde inesquecível na Lapinha da Serra (MG), numa semana em que esperávamos por muita chuva, mas fomos presenteados pela mudança repentina do tempo. Ainda bem! As chuvas dos dias anteriores causou um pouco de apreensão mas, não sabíamos, ia acabar contribuindo para o verde ficar mais vivo e a água ser também uma protagonista nestas fotos.

Procuramos lugares belos para essas sessões, e se forem como esses que visitamos, melhor ainda, mas é nossa missão entender o motivo da escolha de determinado cenário, afinal, nossas fotos não são para uma revista, elas são para a memória de duas pessoas especiais e únicas, que estão começando uma caminhada juntos.

O Pedro nos contou:

"A Lapinha simboliza para mim um ambiente de conforto da alma, repouso mental e admiração da natureza. Pouco depois de começarmos a namorar, este foi o primeiro local para o qual viajamos juntos, e além disso, era a minha primeira vez no vilarejo.

Retornamos algumas vezes após este episódio, inclusive para realizar a travessia Lapinha – Tabuleiro, aventura que nos rendeu algumas lesões no joelho, rsrs! Mesmo assim, sempre esteve presente um sentimento muito especial.

A cada nova visita fico mais perplexo com toda essa beleza natural e a tranquilidade que sentimos, e por isso, a Lapinha se tornou um dos locais preferidos quando quero me desligar do mundo junto com a pessoa que amo."

 

 

 

 

 

Queridos Carol e Fernando,

Quando Rodrigo me pediu em casamento, exatamente aí onde tiramos essas fotos, ele lembrou de Guimarães Rosa, que dizia que “felicidade se acha é em horinhas de descuido”.

Hoje, olhando para trás, percebo que um dos motivos por nosso amor ser tão grande e intenso, é exatamente isso: foram as horinhas de descuido o nosso bem mais precioso, fazendo da felicidade nossa rotina, independentemente do contexto em que estivéssemos.

E assim também foi o dia deste ensaio fotográfico, que capturou tanto a nossa essência, mostrando que nossa felicidade sempre esteve nesses pequenos momentos: uma pausa nos estudos, um abraço quentinho, uma passeio de carro, um ventinho no rosto... 

Foram muitas as horinhas de descuido e uma felicidade sem fim!

Obrigada Fernando e Carol, vocês são demais!

Um beijo,

Amanda.

É impressionante como uma sessão de ensaio pode realmente sair do comum quando o casal se sente confortável e seguro para demonstrar quem é e o sentimento verdadeiro que tem. Claro que o primeiro passo é confiar em seu fotógrafo, mas a nossa sugestão de escolher a casa da família ao invés de qualquer outro cenário fez mais sentido para esses dois também.

Bem, a sugestão surgiu ao voltarmos ao nosso passado quando recordamos do nosso primeiro casal, super tímido, que sugeriu fazer o ensaio dentro do pequeno apartamento que eles compraram juntos. O cenário não importou tanto no momento, mas pensem nas recordações que terão! Hoje já não moram mais lá e terão para sempre registrado esse lugar onde começaram a vida. Depois desse primeiro ensaio, fotografamos nos mais belos lugares, tudo realmente incrível, mas nunca mais tínhamos feito outro parecido. Até agora.

Achar a luz certa, ter um lugar com janelas e pedir que o casal use as roupas deles mais confortáveis e simples, além de escolher os lugares da casa com menos distrações fazem parte da preparação para esse dia. Na hora, os dois foram agindo como se fosse mais um dia comum na vida deles e a mudança de ambiente foi muito importante pra gente ir contamdo essa história. Mas nada supera o que os dois entregaram para nós! Alegria, amor, descontração... a gente sente na pele a amizade dos dois e a felicidade do momento que estão vivendo. Eles foram eles mesmos e tiveram imenso carinho e respeito por nós.

O resultado vem daí também: a paixão entre os dois e o amor que temos entre nós 4 também. Por isso, afirmo mais uma vez aos casais: escolha e ame seu fotógrafo, se entregue! Vale a pena, né Marcella e Daniel? ;)

Um rio é um curso natural de água, usualmente de água doce, que flui no sentido de um oceano, um lago, um mar, ou um outro rio.

Quando convidamos este casal incrível para fazer as fotos deles entremeando um riacho que adoramos, nem tínhamos pensado nessa possível confluência de sentidos. Pode o amor ser definido como um rio?

Quem ama flui ao encontro do outro. Quem ama é compelido a seguir o curso natural do amor, ou fica estancado. Quem ama deságua. Quem ama se modifica. Quem ama atravessa trajetos naturalmente impossíveis. Quem ama age às vezes insistentemente como um fio de água para mudar algo. Quem ama, assim, de repente, vira cachoeira.

É muito bom poder ter tempo para evoluir. A cada ensaio que tenho feito este ano, sinto que dou um passo na direção do encontro comigo mesmo e com estes casais, mas mais ainda, com a fotografia que tenho dentro de mim (na cabeça como ideal e no meu coração). E isso não tem fim, pelo menos pra mim, porque quando encontro e desenvolvo algo por muito tempo, tenho vontade de me reinventar e encontrar novas maneiras de me expressar como fotógrafo.
Nesse dia estávamos com medo do frio, mas ele não atrapalhou. A Lorena e o Marco se diziam tímidos, mas confiaram em mim. E assim, eles conseguiram me entregar algo genuíno dos dois e da relação. Aproveitamos do silêncio e de tudo o que ganhamos com ele. Não houve desconforto no silêncio. Houve paz.
Gratidão,
Fernando Lutterbach.
The Artist Guild of the Wedding Photojournalist Association WPS International Society of Professional Wedding Photographers