Lutterbach - Fotografia Autoral

Quando nos casamos tínhamos uma certeza meio infantil de que o que estávamos vivendo era tão forte, tão arrebatador, tão belo, que seria imutável. Nos preocupávamos apenas em como conseguir nos manter financeiramente, nada mais. Tínhamos certeza de que o nosso sentimento era especial, que não tinha fim, e nada poderia abalar um grão que fosse do que estávamos construindo.

Veio o tempo, veio a rotina, veio um filho, veio o estudo, veio a distância, veio a falta de trabalho e depois... tanto trabalho que se sobrepôs a tudo. Vieram a insônia, a falta de apetite, a insegurança e o desânimo. Veio a falta de tempo... Veio o comodismo - tudo aquilo que a vida impõe, e que, por sermos tão jovens, achávamos que isso só acontecia com os outros e não com a gente.

E então, tenho isso tudo bem guardado em minha memória, nos meus cadernos, cartas e fotografias. Nossa vida hoje só faz sentido porque temos uma história, e porque conseguimos, sempre, superar cada obstáculo. Confesso que devo essa longevidade à personalidade obstinada do Fernando. Ele sempre me diz: "Vai dar tudo certo, querida". Acho que essa foi a frase que mais ouvi em minha vida. Ele tanto disse, com tanta certeza, que acreditei. 

Antigamente eu conseguia contar nossa história para as pessoas, hoje é muito difícil para mim. Não sinto mais que tenha um começo, nem meio e nem fim. Ela existe em meu coração, girando em mutação, como aquele símbolo do infinito, bem grande, bem brilhante.

<3 14 anos de casados <3

ESSE ENSAIO FOI REALIZADO EM LAVRAS NOVAS PORQUE QUERÍAMOS RETORNAR A UM LUGAR QUE JÁ MARCOU VÁRIAS FASES DE NOSSA HISTÓRIA, MAS PODERIA TER SIDO EM QUALQUER PAISAGEM MINEIRA, NÃO IMPORTAVA MUITO. O QUE MAIS NOS IMPORTAVA ERA TER ALGUÉM QUE FOTOGRAFASSE ESSE MOMENTO DE FORMA REAL, BELA E SENSÍVEL. QUERÍAMOS TAMBÉM ETERNIZAR ESSA FASE DAS NOSSAS VIDAS, QUE COMO OUTRAS DO PASSADO, TAMBÉM NÃO RETORNARÁ. 

FOTOS | FLÁVIA VALSANI (Obrigada, querida amiga! Ficou tudo maravilhoso...)

 

Um dia com o Marcelinho

21 de Agosto de 2015

São os dias comuns e corriqueiros que nos deixam mais saudades. Cuidar de um filho é ter sentimentos opostos o tempo inteiro. A gente se alivia ao vê-los crescer, mas no momento seguinte já sente um aperto no peito por não poder fazer tantas coisas que eram banais e muitas vezes extenuantes...

Quantas fraldas trocamos? Quantas vezes lutamos com o sono deles? Quantos banhos? Quantas refeições temos de insistir para que eles façam?

Sem os filhos nossa vida também muda, algumas coisas se vão eternamente, mas não notamos. Um filho marca a passagem do tempo com tanta força, que assusta. A saudade é um sentimento que passa a ser nossa companheira: nunca mais nos livramos dela, nem por um segundo.

Considero essas fotografias de uma intimidade profunda. Estivemos por um dia dentro da vida dessa família e agradecemos a eles por terem nos permitido acompanhar cada segundo. Mais ainda por já ter feito parte do cotidiano deles, por amizade por quase 20 anos. 

O Marcelo, amigo de longa data, a Cris, e essa doçura em forma de gente, o Marcelinho, estão vivendo um dia como outro qualquer, e por isso mesmo é tão especial. Qualquer dia, eles vão rever esse dia e se lembrar que, de qualquer, esse dia não tinha nada.

Nós simplesmente não nos cansamos desses dois queridos :) e fotografá-los num lugar tão magistralmente belo foi uma experiência de vida inesquecível. Espero que a paixão por fotografia que os dois têm perdure, assim como nossa vontade de sair por aí fotografando as maravilhas do mundo.

Quem imaginava chegar para fotografar na Serra da Piedade no dia em que se comemora o dia de Nossa Senhora da Piedade? Certamente não planejamos isso, mas foi um desses desafios, que se misturam com bênçãos, mais instigantes que já vivemos.

Que o amor deles seja abençoado, como foi este dia. E que a amizade tão bacana que estamos construindo crie raízes.

Vocês arrasam, casal! E que venha a nossa próxima aventura... Só peço que, por favor, parem de mandar fotos do Grand Canyon para nós pelo Whatsapp senão teremos de arrumar as malas mais depressa do que podemos. :) :) :)

 

Não sem razão disse Vinícius que "a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida". Nos conhecemos numa fila de inscrição para um congresso de Direito, na faculdade. Eu, precisando de horas complementares e de palestras para me formar. Ela, curiosa por processo do trabalho.

Vê se pode.

Eu, lendo um livro de Direito Administrativo ( "Celso Antônio... Quem lê Celso Antônio numa fila", ela sempre diz).

Ela puxando papo.

Eu, observando, perdido, esquecido do mundo. Logo em seguida, ofereci um estágio. Ela topou.

E aí, o "processo do trabalho". Um trabalho em comum, um processo fazer com que ela gostasse de mim.

Mas, a demora foi construindo pilares mais fortes de amizade, carinho, admiração e cuidado. Sem saber, sabíamos do outro muito e com constância, intensidade. E eu na peleja.

Veio o tempo com os amigos em comum, os desenlaces de outros namoros, a festa de aniversário dela, que então pude ir e apostar todas as minhas fichas. O cheiro dela de pertinho. Os olhos. O sorriso. E assim foi.

Fomos.

Mas há também os desencontros. Nos separamos por alguns dois anos, e vivemos do nosso modo o que era ainda para amadurecer em nós. No reencontro, o que pude dizer foi só "nunca te esqueci". Sou ruim de mentir, e estava ali entregue, leve e feliz.

Daí para frente, a vida voltou a ser só arte do encontro, e quando nos demos conta, já dividíamos o mesmo lençol, as mesmas risadas e as mesmas contas.

Mas, somávamos palavras novas ("adulo" para ela, "fuçança" para mim) e percebíamos que as nossas diferenças se encaixavam num quebra-cabeças de amor, paixão e admiração. É isso.

TEXTO | FILIPE RABELO (noivo)

FOTOS | FERNANDO LUTTERBACH © 2015 COPYRIGHTS RESERVED

FOTÓGRAFO CONVIDADO | ELIAS HENRIQUE

LOCAL DO MAKING OF E BELEZA | CLARISSE PADILHA

VESTIDO | A MODISTA

SAPATO | JULIANA BICUDO

TERNO NOIVO | HUGO BOSS

LOCAL | LA VICTORIA | NOVA LIMA

CERIMONIAL | VERNIÊR

DECORAÇÃO E BUQUÊ | MUSEU DE GRANDE NOVIDADES

BEM CASADOS | ISABELA FRANCO

CONVITE | BOLACHA DOCE

 

A Tamires tem a melhor amiga de infância a agradecer pelo encontro que teve com Ivan com apenas 16 anos. Mas, a vida não é novela,  nem filme americano, então posso atestar por eles que não existe nada como o tempo certo para as coisas acontecerem. Foram tantos encontros incertos, mesmo sabendo lá no fundo que seria ele a pessoa com quem iria dividir a vida. Foram muitos desencontros...

Ela é dessas mulheres exuberantes, que sabem o que querem. Impossível não notá-la em qualquer ambiente em que esteja. Tamires coloca paixão em tudo que escolhe, e ama. Ela tem sido assim conosco, com a fotografia, com os preparativos do casamento. Nos escolheu deixando claro que não poderia ser nenhum outro e isso nos impressionou. Ninguém segura essa noiva... Mas, não me entenda mal, ela não é um furacão; é doce, meiga, carinhosa e tão gentil que realmente fica difícil não mover montanhas por ela.

Ivan então foi o escolhido dela, também a escolheu, e quando foi pedi-la em casamento simplesmente não conseguiu fazer da forma que tinha planejado. Pensa bem, ela lá esperando a comemoração de quatro anos de namoro e ele aparece sem presentes, nem chocolates, nem um balãozinho que fosse... Entregou um cartão meio sem graça escrito "Parabéns". Ela leu calmamente e pediu licença para acabar de se arrumar. Na verdade, tinha ido para o banheiro chorar por tanta falta de romantismo. :)

Quando ela reapareceu com rosto vermelho, ele tirou do bolso um coração com a frase "Quer se casar comigo?". Ela nem respirou para responder e ele resolveu abortar o plano de pedir sua mão num jantar em frente às montanhas, pois não conseguiu deixá-la sofrendo por mais nenhum segundo.

<3

Queridos noivos,

Tenham certeza de que colocaremos em nossas fotografias para vocês a mesma intensidade e paixão que vocês tem pela vida e pelas pessoas. Obrigada por toda confiança que sempre depositaram em nós.

 

The Artist Guild of the Wedding Photojournalist Association WPS International Society of Professional Wedding Photographers